quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Pelo direito de dizer sim. E não.

Lá pelos primórdios da humanidade alguém em um momento de extrema lucidez determinou: "Homens são assim. Mulheres são assado". Não sei quem foi muito menos quais parâmetros utilizou, mas as regras são válidas até hoje.

Homem não chora, mulheres são sensíveis. Homens podem isso, mulheres não podem aquilo. Dama na rua, puta na cama. Mulher pra casar. O que vem fácil vai fácil.

Devido a alguma falha genética, eu nunca soube ser difícil, o que não quer dizer que eu seja fácil. Eu sei o que quero e, se o que eu quero me quer, pra que fazer joguinho?

Você tá ali, afim do cara e de repente ele chega em você e qual sua reação? "Opa! agora vou recusar vários convites pra incitar e ele ficar caidinho por mim". É, de repente isso pode até funcionar, afinal o ser humano tem uma péssima mania de querer o que não pode ter, mas já pensou o quão mais simples seria se as pessoas configurassem suas vontades? Sem medo, sem culpa. Sem arrependimento.

É como se viesse impregnado no nosso DNA e, se você pensar diferente, cabe até revisão de paternidade. De repente você pode ter vindo de uma cegonha itnerplanetária e tá ai, crente crente que é um terraqueo normal.
 
Prazer, tenho 26 anos, sou mulher e falo sobre sexo. E não, não sou puta por isso. Muito pelo contrário. Sempre fui considerada a "mulher pra casar" e talvez seja por isso que estou solteira até hoje. A certinha, a dificil, a que não fica com qualquer um. Perdi as contas das vezes que me chamaram de "santinha" ou insinuaram que eu fazia tipo. Meu bem, não faço tipo. Eu só não quero você e nem vejo necessidade em exalar sexualidade por onde passo.
 
O assunto "sexo" é tabu, mas o ato é banalizado. Virou meio que parte da salada mista: pêra dá as mãos, uva dá um abraço, maçã beijo no rosto e salada mista..? A salada mista dos dias atuais é o sexo. Assim, simples. "Oi, Tô a fim de transar. Topa?". E aí temos as opções: a) Ambos podem ser felizes B) a resposta ser negativa e garota virar puta por ter dado ou não 
O fato é que o mundo feminino foi dividido entre as putas e as puritanas. Assim, sem meio termo. Se você realmente acreditou nisso, se retire da minha página. Você é um idiota.

Vou contar um segredo pra vocês: A mulher transar num primeiro encontro não faz dela melhor nem pior do que a que casa virgem. A mulher saber o que gosta ou como gosta não é defeito. O número de caras com quem ela dormiu ou os dias que ela levou até aceitar ir pra cama com você não definem quem ela é. Se eu fosse você pensaria duas, três vezes antes de julgar uma mulher que sabe o que quer e o que não quer.
 
E digo mais: Se você é daqueles que pensa "Se ela fez comigo, faz com qualquer um", você pode até ter nascido com um pinto gigante, mas isso jamais vai compensar sua falta de cérebro. O argumento é tão medíocre quanto quem o usa, afinal, se você é como qualquer um, não possui qualquer diferencial, qualquer caracteristica que te destaque nesse mundo e sendo mais do mesmo, é totalmente dispensável.
 
Não vou negar que sinto falta dos convites pra sair sem segundas intenções. Daquela ida ao cinema pra comer pipoca e se pegar no escuro sem pensar em prolongar o encontro num lugar mais reservado. Dos beijos em que o objetivo não era ver minha roupa no chão. Eu sou à moda antiga, fazer o que. Ainda gosto de flores, mas dou mais valor ao cartão. Ainda me derreto por um sorriso, por uma mensagem fora de hora. Ainda acho que a parte mais exitante de uma relação é a conversa. É nela que tudo começa, ou termina.

Quero poder dizer sim num primeiro encontro sem peso na consciência. Sem ser rotulada como "a puta". Quero poder dizer não sem virar "a casta". O corpo é meu. A escolha é minha.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A difícil missão de pontuar frases. E fases.

Sou apaixonada por letras. Ponto.
Desde que me entendo por gente tenho essa relação com textos e isso acabou gerando um puta defeito: Sou daquelas que desenvolvem melhor uma ideia no papel do que verbalizando. Então, se encontrar um bilhetinho meu escrito em guardanapo, valorize! Eu não escrevo pra qualquer um e isso pode valer muito mais que um coraçãozinho com seu nome dentro. Não, eu nunca fiz isso, apesar de achar super romântico e..não.

Quando pequenos aprendemos a pontuar frases, usar vírgulas, reticências e pontos finais. Aprendemos a separar as ideias por parágrafos e manter a coerência, seguir uma linha de raciocínio.. Se de  repente, lá no meio do texto as ideias se confundirem, tu pode apagar e começar de novo. Mas e se estiver escrevendo a historia da sua vida? Nem a borracha azul ou o corretivo mais foda do mundo é capaz de apagar o que já foi escrito, então, a única solução é colocar um ponto final e começar de novo. Dali mesmo. Com todos os erros de português e falta de coesão. Ninguém vai perceber se você tava falando de arvores e terminar falando do avanço da economia global. A vida é tua, o texto é teu.

Já leu um texto escrito por criança? É confuso de tão somples. O texto é corrido, com idéias soltas. Não tem virgula, não tem ponto. Crianças escrevem como vivem: sem complicações.

Aí a gente cresce e a gramática fode com nossas vidas. Surge a necessidade de aprender a lingua e escrever corretamente. Pontuar, definir tema e assunto. Racionalizar, pensar antes e escrever depois. E a gente vai perdendo a simplicidade, vai criando medo de errar e descobre que terminar uma frase com um ponto (.) ou três (...) muda todo o contexto de uma historia.

Quando estou escrevendo uso pontos finais com certa facilidade. Só nesse texto já devo ter usado mais de 10 (não vou parar pra contar senão perco o raciocinio), e na vida, será que eu sei pontuar as fases? Se eu preciso parar para respirar, uso virgulas. Se quero dar continuidade, reticências. Se quero finalizar uma ideia..Ponto final.

Eu sou taurina e mesmo que você não acredite em astrologia já deve ter lido ou ouvido algo sobre a nossa resistência a mudanças. Pois bem, o signo da estabilidade  e do comodismo não gosta de encerrar ciclos. Isso implicaria em começar algo novo e, consequentemente, encarar mudanças de percurso. Ainda bem que o ascendente em libra equilibra tudo isso, mas esse não é o ponto. O ponto em questão é o final.

As vezes tu sabe que a historia não vai dar em nada, que já se perdeu nas entrelinhas mas continua ali, escrevendo, usando virgulas e reticências para adiar o fim, buscando uma reviravolta no estilo George Martin, mas no fim..É o ponto final.

E dá um medo danado de terminar. Tu relê o texto e se questiona onde foi que se perdeu. Se eu tivesse escrito aquele  parágrafo diferente.. Se não tivesse perdido tanto tempo naquele capítulo.. Maldito personagem! Te dei o papel principal e agora você tá sumindo nas entrelinhas. 

Já perdi as contas de quantos textos deixei pela metade por não saber como continuar. Muitos não passaram nem do segundo parágrafo, em outros poucos só faltou a conclusão..Talvez esse "deixar em aberto" seja a forma mais dinâmica de terminar um texto. Quem nunca se questionou sobre o triangulo amoroso Bentinho-Capitu-Escobar?Machado de Assis pode se revirar no túmulo mas sempre vai caber um questionamento.

E quando a gente fala em pontuar a vida, vem outra complicação: você não escreve sozinho.  Os personagens tem vida própria e nem sempre (quase nunca) seguem o roteiro que tu escreveu. Sabe aquela cena linda em que vocês estão jogados no sofá assistindo um filme qualquer e, de repente, ele te pede em namoro? Filha, não vai rolar. Primeiro porque não. Segundo porque o personagem tá pensando em algum super lançamento da playstation, ou na roupa que tem que lavar no fim de semana ou em alguma acreana (não, não tô falando da Marina Silva). Tem que rolar uma sintonia muito grande pra acertar o roteiro e coincidir idéias e ideais. As vezes tu quer continuar aquele capitulo e o outro já está em outro livro..

É nesse momento que eu me consagro como uma grande escritora solo. Nunca soube nem fazer trabalho em dupla, imagina escrever minha vida! E é nesse momento que eu deixo, mais uma vez, as reticências falarem por mim..


domingo, 31 de agosto de 2014

Uma crônica sobre o medo.


Tu vive falando que quer aventura, mas tem medo de pular de para quedas. Tem medo de velocidade. Tem medo de altura. De riscos. Eis aqui a realidade: Até quem acha que o chão é seguro pode tropeçar.

Eu nunca fui a pessoa mais corajosa do mundo. Minhas pernas tremem só de pensar em aranhas e tubarões. E em me machucar. 

A gente pode até negar, mas lá no fundo todo mundo tem esse medo. Todo mundo tem uma pontinha de "e se eu me fuder de novo?". É natural, é instintivo. Se você pisa num caco de vidro, alguma parte do seu cérebro vai apitar quando passar por copos, pratos ou qualquer objeto do mesmo material. O foda é que você não deixa de comer porque cortou o dedo num prato de vidro.. Então por que deixar de se relacionar em função de uma experiência frustrada? 

Se desistíssemos a cada experiência que deu errado, ainda estaríamos aninhados no colo das nossas mães. Lá era seguro. Eu não ia cair de bunda no chão tentando engatinhar e jamais teria quebrado meus dentes tentando andar de bicicleta. E aqueles arranhões no joelho quando eu, desastrada desde o útero, resolvi correr? Nem te conto sobre as mechas de cabelo perdidas quando eu descobri a tesoura ou as idas ao médico pra tirar caroço de feijão, milho ou espuma do nariz. Sei lá, aquele buraco tinha que ter alguma função além de respirar. Hoje ele sustenta uma bela argola. 

Eu tenho uma ideia meio clean de relacionamentos, talvez por não ter tido muitos, talvez por assistir muita comédia romântica, talvez por acreditar que quando a gente quer, dá um jeito. E eu tô dando o meu jeito. Torto, desengonçado, as vezes agressivo, mas é o meu jeito e eu tô tentando, então, não enche o saco. 

E você? As vezes você me confunde. Eu não sei se é quem diz ou quem demonstra ser. Faz sempre questão de dizer que a vida foi dura, que já sofreu e tem medo de se machucar de novo. Por outro lado não perde a oportunidade de cantarolar "Eu, você, dois filhos e um cachorro.Um edredom, um filme bom no frio de agosto.E, ai, cê topa?" . Como eu fico nessa? Perdida, oras. Nem todas as minhas aulas de psicologia aplicada conseguem desvendar o que tem por trás dessa cara de príncipe de conto de fadas as avessas.

Eu acho mesmo é que você tem medo de mim. Mede de eu ser realmente tudo o que você sempre procurou por aí e só encontrava em doses homeopáticas espalhadas em cada porto. Admite que você se assustou quando eu apareci do nada e mostrei que tu pode ter o mosaico do melhor da vida em uma pessoa só. 


Confessa que eu te assusto quando te convido pra sair, quando dispenso teu dinheiro e pago o taxi ou o cinema. Quando te jogo no sofá e assumo as rédeas da situação. Quando não só digo, mas provo que sou diferente dessas tantas que já passaram na tua vida.

Quer saber mais? Eu também tenho medo, também já quebrei a cara por aí, mas acho que vale a pena tentar de novo. Eu sei que tem outros travesseiros por ai esperando pra ficar impregnados com o meu xampu, eu sei que tem outros colos pra eu deitar, eu sei que posso me sentir tão bem com qualquer outro, mas eu não quero. Eu escolhi você pra ser o meu pokemon.


Eu gosto desse monte de defeitos que te fazem ser único. Tu pode ser um babaca, mas só eu sei o quanto me faz bem. Eu gosto quando você lembra de algo que eu falei ou fiz, ou de como reagi em determinada situação. Quando me elogia do nada ou quando inventa algum defeito só pra implicar. Quando, no meio da noite você acorda, beija minha testa e dorme de novo. Quantas vezes você dormiu no meu colo enquanto eu mexia no seu cabelo e eu fiquei ali, admirando aquela cena como se fosse a coisa mais bonita do mundo..E eu me sinto feliz por estar ali, por estar com você.. E naquele momento o medo vai embora..


Pode falar que gosta quando eu me aninho seu peito enquanto assistimos anime, quando eu te explico os detalhes daquela triologia medieval ou daquela série de zumbi. Que gosta quando fazemos guerra de almofadas ou de coração de borracha (Que cena linda! Um jogando o coração pro outro como quem diz "segura que é seu."). Fala, pode falar. Fala pra você, fala pro espelho, e quando estiver pronto pra assumir, fala pra mim.


Então me diz..Vale a pena ter medo e deixar tudo isso se perder? 



Nota de rodapé: Aprende com o Zac Efron. O cara é galã, sabe dançar e mesmo assim, quase perdeu a loirinha. Tu não tá com essa bola toda..Vai dispensar a morena?



terça-feira, 12 de agosto de 2014

Let it be


Você tá bem, tá feliz. Encontrou um cara legal e está curtindo ficar com ele. Vocês tem gostos e traumas em comum, riem de coisas idiotas e conversam sobre tudo, todos os dias desde que se conheceram. Parecem anos, mas são meses..E quanta coisa já aconteceu.

Ele te trata bem, te faz bem. Te mostra uma versão de você que até então era desconhecida. Quem diria que por baixo dessa armadura de ironia e sarcasmo existiria alguém capaz de ter sentimentos. Alguém que se importa, que se preocupa, que quer estar junto.. E que demonstra! 

Você não se importa de parecer idiota questionando o gráfico de um jogo ou debatendo sobre aquela triologia super complexa e cheia de personagens com nomes difíceis. Você não se importa de passar a noite em claro controlando uma febre ou de assumir que chorou quando ele passou alguns dias fora. Não, pera. Isso eu não assumi

Ele é o cara, e você sabe disso. Com ele você é simplesmente você. Sem máscaras, sem truques, sem maquiagem. Sem maquiagem não. Lapis de olho é vida!

E você não quer perder. Acorda todo dia com um nó na garganta, um aperto no peito: Será que ele ainda está aqui? Será que ainda está tudo bem? Se vocês se falam e o assunto não flui, já vem aquela sensação de “fudeu! O encanto acabou”.

Minha menina, senta aqui. Não é assim que a banda toca. Como diria o velho Lulu (o Santos, não o aplicativo) “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo muda o tempo todo no mundo”. E por mais estranha e alienígena que você seja as vezes, você faz parte desse mundão, então..Por que com você teria que ser diferente? Por que teria que existir constância?

Vamos ser sinceras, se tudo fosse muito igual, muito calmo, você já teria pulado desse barco há muito tempo. No fundo você precisa disso. Você gosta disso. Você quer a sorte de um amor tranquilo, mas tem a necessidade de ser conquistada todos os dias. Teu vênus em gêmeos grita, implora por um amor leve, bem humorado e sem grades. Por que tentar aprisionar se você também quer voar?  E voar não significa estar sozinho..
 

Menina, aquieta esse coração. As vezes tu busca tanto uma coisa que ela acaba se perdendo. E quantas vezes você já perdeu? Deixa ser.. Deixa  que os ventos soprem, deixa que os astros façam a parte deles.. Mas faz tua parte! Não cruza os braços que o príncipe encantado não cai do céu. Vai a luta! Sacode o cabelo, faz carão, seduz o moço! Eu sei que você é um desastre nesse quesito mas vai que ele gosta de coisas estranhas.. Vai que ele gosta do seu riso frouxo, seu jeito torto, sua falta de sensibilidade e mania de debochar de tudo.. Tem louco pra tudo!

Se for pra ser, será. E se não for, a gente dá um jeito..

Vai lá, assopra a florzinha dos pedidos e pede, pede pra que o filho da puta perceba que você é artigo raro (trocadilho ó ó) no mercado e  que tá dando um mole desgraçado pra ele..

A necessidade de se reinventar todos os dias, sem nunca deixar de ser você.

Eu sofro do mal do desinteresse precoce. Seja por pessoas ou coisas. Seja por mim mesma. Em contra partida tenho uma necessidade frequente de estabilidade, de continuidade. E ai vem a questão: Como andar na mesma estrada sem se cansar do caminho?
Você acorda todos os dias as 7, levanta da cama, toma seu café da manhã. Confere as novidades nas redes sociais e só então toma seu banho e vai trabalhar. Ai começa seu dia. Relatório, ligações, clientes. Fim do expediente e você vai pra casa, pro curso, pra faculdade. Assiste tv, lê um livro, joga vídeo game, estuda e dorme. No dia seguinte, é tudo a mesma coisa. Rotina. Hábito.

A gente se acostuma, se acomoda e quando percebe tá lá, repetindo frases, gestos e atitudes. Criando um ciclo vicioso. Depois reclama que o futuro tá repetindo o passado.
E isso cansa.

Tenho medo de me repetir, de virar rotina, ao mesmo tempo tenho medo de mudar e perder a graça. Medo de me perder pelo caminho, de deixar de ser eu.
Eu quero frio na barriga. Eu quero ser uma pagina nova a cada dia. Uma pagina nova de um livro bom de ler, daqueles que você não consegue tirar os olhos enquanto não descobre o que acontece na pagina seguinte, mas não se importa se precisar voltar dois ou três capítulos pra entender uma frase aleatória.

Quero me apaixonar todos os dias pela mesma pessoa. Quero que ele me encante, que desperte meu interesse, que seja a minha novidade. Quero o gosto da primeira vez com a intimidade da convivência. O brilho nos olhos, o sorriso sem graça, o arrepio quando está por perto, o aperto no peito quando está longe. E quero que seja reciproco. Quero que seja por hoje.. O amanhã a gente pensa depois.

Eu quero que seja novo. E de novo.

Quero ser um texto inacabado pra você sempre ter que pensar como

sábado, 12 de julho de 2014

O problema de torcer pela Seleção - de outro país.

Três fatos sobre mim:

1- Eu sou brasileira, ponto. Tá lá na minha certidão de nascimento e na minha carteira de identidade. Não tem como negar, e nem quero. Não faz parte dos meus planos requerer cidadania em nenhum outro país.

2- Eu sou apaixonada por futebol. Quase não falo sobre isso aqui, mas é assunto frequente no meu gigante circulo de amizades. "Apaixonada"..Tá ai uma expressão que eu nunca uso.

3- Eu não torço pra Seleção Brasileira de Futebol.

Não torço e nunca torci. Mentira. Na Copa de 94 eu torci pelo Brasil com direito a camisa do Romário e tudo. Eu tinha 6 anos, ainda não tinha direito a escolher nada. Lembra do Baggio perdendo aquele penalti? Isso foi há 20 anos, eu ainda era um pequeno ser anencéfalo. Tô ficando velha. Pula.

O tempo foi passado e eu fui criando uma implicancia com a seleção principal na mesma proporção que simpatizava com o futebol de outros países. Principalmente com a Itália. Eu tinha uma queda pela Itália como um todo: país, cultura, comida,futebol, homens..

Veio a Copa de 98, França campeã. Roberto Carlos tá ajeitando a meia até hoje.
 

Copa de 2002. Rua decorada, calçada pintada, vizinhos filhos da puta arrancando as bandeirinhas (Eu sei quem foi, hein). E daí que eu não torcia pelo Brasil? Eu era um moleque descalço, com a cara suja de tinta e que acordava de madrugada pra assistir aos jogos. Ressalva pros desavisados: A Copa foi no Japão.

O que falar da Copa de 2006 que mal conheço e já gosto pacas? Itália campeã, Amanda sem voz, vizinhos putos com meus gritos! Eu sou a taça!!
 

O tempo foi passando e outra seleção foi se destacando pelo mundo e no meu coração (sou romântica,ó <3):  Espanha, La Furia Roja! Futebol envolvente, bem jogado, daquele que dá gosto de assistir, e tinha o Sergio Ramos! Aaah o Sergio Ramos..A cereja do bolo. Passados os títulos da Eurocopa (2008/2012), Copa do Mundo (2010) e a vergonha na final da Copa das Confederações e a eliminação precoce nesse Copa, eu continuo aqui, torcendo pela La Roja. Volta que deu ruim, Bebê. Sem justificativas dessa vez.
 
 

Outra seleção que tem minha simpatia é a da Alemanha. Não, não é pelo Podolski ou pelo Hummels. Alias, pode até ser, dane-se. Não tenho que me justificar pra você ou pra ninguém. O que importa é que não tenho a menor simpatia pela seleção nacional. Nenhuma mesmo, zero. Nacionalistas que me joguem pedras, tô nem aí. Torço pelo volei, pela natação, pelo ping pong e pelas sub 10,12,14,16,18,10 (só numeros pares porque sou superticiosa), mas pela seleção principal ó..torço pra que se ferre.

O problema é que grande parte das pessoas não aceita isso. "Você é brasileira, tem que torcer pelo Brasil". Meu filho, não é porque eu nasci em Bangu que tenho que torcer pelo Bangu! Não existe isso. Não tá na Lei! A Constituição não determina: Nascidos no Brasil terão que torcer pelo Brasil. E mesmo se determinasse, advogados tão aí pra livrar a gente desses pequenos delitos.

Podem decorar as ruas, podem pintar as calçadas, podem vir na minha casa assistir jogo do Brasil e falar que é a melhor seleção do mundo. Eu não tô nem aí! Assisto o jogo junto e ainda comento (meus comentários são super inteligentes e dignos de um programa esportivo - joguei no ar. Vai que alguem que trabalha com isso lê esse texto?)

E na época de Copa surgem os torcedores sazonais. Taí uma raça que me irrita. Eles não entendem de futebol e no geral, nem gostam, mas como é Copa, todo mundo vira especialista e leva a seleção no peito. Vai Neymar! Vai..Quem é aquele ali mesmo? Só conheço o Neymar.

Neymar se quebrou e morreu! A seleção tomou de 7 e depois de 3. A seleção é 10!

Tecnico filho da puta! Jogador idiota! Eu sempre soube que esse time era ruim. Ah, foi um milagre ter chegado até aqui. Não tem meio de campo! É um time de um só..

Juura?

Cadê o amor? Cadê o hexa? Cadê o campeão? Cadê os gritos de gol no meu ouvido? Cadê o patriotismo? O mais absurdo era ver gente que pintou a cara, assoprou o apito do diabo, comprou a camisa da seleção no camelô e se fantasiou (até hoje não sei quando era jogo e quando era carnaval) torcendo pro time adversário! O amor acabou com a derrota? "Agora vamos acordar e protestar! Agora o time se equiparou a saúde e a educação!". Filho, esperava o que? Se o Brasil fosse campeão escolas e hospitais se auto-contruiriam, politicos ficariam honestos, o salário aumentaria e sua condição de vida melhoraria? Não! Ia tudo continuar como está. Da mesmíssima forma. Então acorda, pára de babaquice e cai na real! Futebol é futebol. Futebol não muda tua vida ou a minha. Só muda a de quem nasce com talento pra jogar e com sorte pra ganhar milhões.

Agora me responde você, coxinha que me criticou por torcer por outro país: O que você ganhou torcendo pelo seu país e o que eu perdi não torcendo? A resposta é simples: NADA.

É futebol. É Copa do mundo! Torça pela alegria, torça pelo futebol, torça pelo Arzebaijão (tem seleção lá?). Torça pra quem quiser torcer! Só não invente trocadilhos como FlAlemanha porque é feio. Na boa, feio pra caralho.

Amanhã tem final da Copa! Tem Argentina e tem Alemanha! Quem ganha?
Meu palpite aqui:
 



 

 



 

 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Laissez faire, laissez aller, laissez passer. Le monde va de lui même

 
 
Em 15 dias muita coisa aconteceu.

A gente se viu. A gente se despediu. Eu chorei. Você viajou. Pensei que não iamos nos falar. A gente se falou. Todos os dias. Todos.

A Copa continuou. Espanha foi eliminada. Itália foi eliminada. Chielinni foi mordido. Neymar foi quebrado. Brasil foi goleado.

Tive crise de estômago. Crise no trabalho. Crise existencial.

Pintei o cabelo. Cortei o cabelo. Comprei roupas novas. Doei roupas antigas. Planejei meu futuro. Mudei os planos.

Assisti filmes. Assisti temporadas completas de animes. Li alguns capítulos de um livro e comecei um outro. Escrevi textos. Não terminei nenhum.

15 dias e a esperança do 16. Como seria. Como reagiria. o que faria. O que mudaria. Será que vai mudar? O que vai mudar? Continuar..Terminar.

Os dias foram se arrastando e aqui estou eu, esperando o tempo passar. Esperando o 16º dia. Uma nova semana. Um novo mês.

Que venha o tempo. Que venha você. Que volte você. Que venha o nós.



Let it be.